quarta-feira, 4 de junho de 2014

COM QUEM VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FALANDO?

  A pergunta nos chega com um tom levemente ameaçador ou quem sabe, exageradamente. Quantas vezes, ao longo de nossas vidas, não ouvimos pessoas influentes, dentro da realidade que lhes cabem, usarem suas posições dentro da sociedade para intimidar pessoas ou influencia-las para obter vantagens? Sou do tempo da Ditadura militar. Quando nasci ela tinha apenas três aninhos de idade, mas uma abrangência influenciável bem maior que os efeitos de organização que ela mascarava no país. A Ditadura era um verdadeiro dragão de sete cabeças, ameaçador, arrasador e cuspidor de fogo. Quem era alienado e ventríloquo era imensamente feliz. 
Alegoria de cangaceiro a partir de pintura de Portinari
      Quando falo da realidade individual, refiro-me às ameaças acontecidas nos lugares mais inusitados: por assento na poltrona de um ônibus, no usufruto dos espaços públicos, concursos públicos, aluno ameaçando professora por ter as costas quentes, segurança pública apenas para quem tem proeminência, emprego e aposentadoria para quem não necessita... E por aí vai. Todas essas são algumas distorções que pudemos assistir ao longo de 47 anos de vida, justamente por parcelas ínfimas que exageram na influência.

Com quem você pensa que está falando? O pensar e o falar no sentido que me refiro não tem a mesma conotação de tráfico de influência e que tais. Trata-se do conhecimento histórico que diz respeito ao conhecimento histórico sobre seu nome de família. No meu caso, o clã Braga. Neste caso, e apenas neste caso, saber de quem se fala é ter certeza de sua origem, de sua trajetória no momento inicial da colonização portuguesa em nosso país até os dias atuais. Saber os caminhos de minha família pelo Brasil é muito mais significativo que qualquer tesouro. O meu castelo é meu nome através dos tempos!
Você que, inadvertidamente resolveu ler meu texto e viu nele algo interessante, sabe quem foram seus avós, seus bisavôs, seus trisavôs ou isso não é interessante? Muitas respostas, pelo que somos hoje, podem ser saciadas mediante o conhecimento cultural sobre nossa família. O modo, o agir, o falar, pode ter uma resposta no sentido cultural linear da família a que se pertence. Saber de si mesmo e de sua família é ter a certeza do pertencimento, e da continuação do que foi significativo e das permanências com as roupagens das novas mentalidades.

Brasão da família Braga, mas será que posso usá-lo
 como brasão próprio? Será que sou descendente de Gonçalo Esteves de Braga, que fundou a família Braga em 1269?

Nosso fenótipo é ser branco, às vezes de olhos claros, às vezes de cabelos castanhos, às vezes pardos... Nem tudo é tão linear, tampouco ao pé da letra. Às vezes somos mais morenos, com olhos negros, cabelos encaracolados. Somos a mestiçagem própria do país, da pátria amada Brasil. O que temos de único e exclusivo é nosso nome: Braga. Geralmente, a posição social define o orgulho familiar, como se o fato de ser rico colocasse o nome na maior referência. Se tal família for emergente, nem se fala dos despropósitos do seu posicionamento diante da sociedade a que ela se apresenta, salientando mais a aparência que o conhecimento em torno de sua própria existência. Conhecimento para mim é mais importante que qualquer outra coisa venal.
Vovô Octavio Braga, nascido em 1909,
 no Estado do Ceará, militar, lavrador
 e dono de farmácia na década de 60.

Antes de mim, meu pai, antes do meu pai, meu avô, antes do meu avô, meu Bisavô bis (dois) - segundo avô... Seguem: Trisavô tri (três) - terceiro avô; Tetravô ou Tataravô tetra (quatro) - quarto avô; Quinto avô no lugar de pentavô; Sexto avô no lugar de hexavô; Sétimo avô no lugar de heptavô; Oitavo avô no lugar de octavô; Nono avô no lugar de nonavô; Décimo avô no lugar de decavô. Por hora me contento com os primeiros imigrantes (hexavós) chegados de Portugal, da freguesia de São Victor, arcebispado de Braga que chegaram ainda nos 1700, no Estado do Ceará. Saber nomes e datas ao longo dos séculos XVI, XVII, XVIII, XIX e XX é quase como poder exibir um diamante lapidado. É uma conquista! 400 anos de história familiar não é pouco.
Não é raro encomendas de pesquisas que esclareçam uma origem familiar que saliente tratar-se de nobres, e nesta, descobrir personagens com titulações conseguidas de maneira exemplar. Quando relaciono os feitos heroicos de um antepassado, na minha árvore genealógica, digo que eu mesmo sou a personificação daquele nome hoje. E, se formos buscar do momento da colonização do Brasil até hoje, provavelmente encontraremos algum personagem que mereça um destaque, enfatizando que, na atualidade, descender de um escravo não é nenhum demérito, muito pelo contrário.
A história de uma família seja ela acontecida nas senzalas ou nas casas grandes têm a mesma importância, no sentido da sobrevivência e das permanências, com relativização, tradição, orgulho e fundamentação. Valbarbalho apud em Geneall (2014) esclarece para a família Furtado de Mendonça um ponto da busca por nobreza:
(...) Não pensem que estou mencionando as nossas origens nobres porque considere isso algum privilegio. A verdade eh que, com a capacidade reprodutiva que Deus Concedeu ao ser humano, o provável eh que todos tenhamos muitos ramos ascendentes, descendentes da nobreza. E se alertarmos para o fato de que tem os indígenas e os africanos tinham suas nobrezas, nos somos triplo-nobre-descendentes. Isso eh um privilegio que compartilhamos com todos. Mas este não eh um assunto que deverá excitar os neurônios dos Furtado de Mendonca, por agora. A menos que também descubram que são Pimenta de Carvalho (não paginado).

Tudo bem, eu também sou da família Furtado de Mendonça. O que me alimenta na verdade é a história. Neste sentido, o conhecimento é minha maior titulação. Se eu conheço minha trajetória eu tenho tudo que é importante para minha permanência.

Francisco Xavier de Mendonça Furtado que
foi todo poderoso governador do Pará,  irmão
 do Marquês de Pombal e fundador de Macapá.

Então, agora quando eu sentenciar, “com quem você pensa que está falando?” eu quero apenas deixar claro que sei mesmo da minha origem e os nomes da minha originalidade. Esse é o meu tesouro maior, sem contar às proeminências que tenho a destacar nesta trajetória histórica, mas por hora, ficamos aqui.