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| D. Pedro II aos 61 anos de idade em 1887. |
Do alto da minha pequenez não gosto do sistema republicano, nunca o entendi e jamais vou me acostumar, principalmente porque o que ele herdou de ruim da nossa colonização foi nada mais que corrupção que nos atinge mortalmente.
O imperador mostrava sua grandeza como homem quando torcia para que o sistema prosperasse, moral e civilizadamente. Concordo com ele, enquanto cidadão e católico.
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| Pedro II por volta dos 32 anos de idade, em 1858. |
O imperador na verdade nasceu com o coração aprofundado de antiescravagismo, mas durante seu reinado não acumulou poder político suficiente para aboli-la. Foi preciso a regência de sua filha, princesa Isabel, depois que o país tinha se arrastado, por anos num debate interminável. Foi o último país da América a fazê-lo.
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| D. Pedro II em 1887, com aparência cansada, depois de 61 anos de trono. |
A princesa Isabel, diante da perda do trono e do exílio chegou a afirmar que "tantas vezes fosse preciso assinaria a Lei Áurea". Não necessariamente com estas palavras, mas com a mesma convicção com que assinou a abolição. Não a toa a princesa Isabel concorre, por sua bonomia e cuidado religioso na prática cotidiana, à beatificação. Seria interessante tê-la como santa. Muitos historiadores, antes de surgirem algumas cartas da própria, chegaram a dizer que ela não tinha assinado a lei por convicção espontânea também. Acusavam-na de terem atirado os ex-escravos sem indenização nas ruas, mas Isabel pretendia muito mais para eles.
Um ponto a mais ao banido imperador Pedro II seria a sua recusa por uma pensão vitalícia, por seus serviços durante 49 anos de trono. Recusou, como muitas vezes em vida pegou parte de seus estipêndios e empregou em obras de caridade. No seu exílio vivia exatamente como vivia durante sua inúmeras viagens ao exterior, fazendo absolutamente as mesmas coisas que fazia antes. Nunca foi, assim como seu pai, D. Pedro I preso ao poder e às convenções simbológicas do cargo. Era um imperador desapegado, por assim dizer, aos bens materiais.
Na cidade do Porto, que guarda justa homenagem à Pedro IV (nosso D. pedro I) há uma estátua na praça em frente a um hotel que me hospedei. assim que vi a estátua, reconheci a figura de D. pedro I e a recepcionista do hotel, historiadora como eu, pôs-se a falar de nossos imperadores. Falar bem. Inclusive, deixou-me informado que, na catedral da cidade, está preservado o coração de nosso primeiro monarca. Falou-me também, que o coração estudado mais atualmente, está em perfeito estado de conservação e que, se o imperador não tivesse morrido da doença que o vitimou, teria morrido de enfarto, pois o coração estava "crescido". Notadamente sofria de "coração grande".
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| D. Pedro II, no leito de morte, num hotel em Paris. |
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| Funerais de D. Pedro II na França, com honras de Chefe de Estado. |
Mas logo que deixou o país rumo ao exílio D. Pedro II teve dois baques: o primeiro foi a morte da Imperatriz Tereza Cristina, três semanas depois de chegar em Portugal, depois, no início de 1891 morreu a sua amiga mais íntima, a condessa de Barral. No exílio vivia às custas dos amigos, depois de ter recusado a pensão republicana. No exílio mantinha a rotina da realeza recebendo regularmente a vistas de nobres europeus e continuava cercado por uma corte, que o acompanhou no exílio. Morreu aos 5 de dezembro de 1891, recebendo honras de chefe de estado do governo francês. Apenas 30 anos depois seus restos mortais retornaram ao Brasil.
Bibliografia
REVISTA VEJA. Reportagem de Lucila Soares. 12 de julho, 2000, p. 84-87.





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