terça-feira, 4 de março de 2014

HOLOGRAFIA E INTERATIVIDADE: o novo álbum de família

Desde criança eu imaginava a holografia como um suporte 3D, sem a dimensão do que era realmente a tecnologia. Então, pensei que a imagem holográfica poderia ser interativa e guardar, principalmente, a imagem dos ente-queridos já partidos. Me imaginava conversando com os meus avós sobre aspectos das suas vidas, como se conversasse com um fantasma digital.
Eu perguntaria pra imagem holográfica quem seria ela e ela responderia no tempo da pergunta, principalmente, responderia uma gama de inquirições com um banco de dados incríveis. No filme Avatar podemos ter uma síntese do que as Tecnologias Digitais poderiam nos favorecer. Seria uma forma de matar as saudades e amenizar as perdas normais da vida. seria o novo álbum fotográfico, de uma forma muito mais avançada.
A holografia foi concebida teoricamente em 1948 pelo húngaro Dennis Gabor, vencedor do Prêmio Nobel de Física em 1971, e executada pela primeira vez somente nos anos 60, após a invenção do laser. Além de servir como forma de registro de imagens ela também é utilizada pela Física como uma sofisticada técnica para análise de materiais e armazenamento de dados.
O nome Holografia vem do grego holos (todo, inteiro) e graphos (sinal, escrita), pois é um método de registo "integral" da informação com relevo e profundidade.
Foto que mostra uma projeção holográfica mais
 aproximada da realidade pretendida. Créditos fotografia:
http://www.mobilidadetudo.com/category/hologramas



Este conceito de registro "total", no qual cada parte possui a informações do todo, é utilizado em outras áreas, como na Neurologia, na Neuro-fisiologia e na Neuro-psicologia, para explicar como o cérebro armazena as informações ou como a nossa memória funciona. Os hologramas possuem uma característica única: cada parte deles possui a informação do todo. Assim, um pequeno pedaço de um holograma terá informações de toda a imagem do mesmo holograma completo. Ela poderá ser vista na íntegra, mas a partir de um ângulo restrito. A comparação pode ser feita com uma janela: se a cobrirmos, deixando um pequeno buraco na cobertura, permitiremos a um espectador continuar a observar a paisagem do outro lado. Porém, por conta do buraco, de um ângulo muito restrito; mas ainda se conseguirá ver a paisagem.
O termo holografia também é conhecido por holograma, que quer dizer "registro inteiro" ou "registro integral".
Mas podemos ampliar o termo holografia para algo muito mais interessante como, aliás, temos observado nos últimos tempos tecnológicos.

Método de Dennis Gabor


Esquema da geração de uma holografia
Este método usa lentes para abrir os raios e assim iluminar propriamente o objecto. Divide-se o laser em dois feixes por meio de um espelho que reflete apenas parcialmente a luz. O primeiro raio ilumina o objecto e faz sua imagem chegar ao filme fotográfico; o outro é direcionado por um segundo espelho e incide diretamente sobre o filme. Há então um cruzamento dos dois raios sobre a superfície do filme (aquele com a imagem do objecto e o que atingiu diretamente) fazendo com que as ondas de luz interfiram umas nas outras. Onde as cristas das ondas se encontram, forma-se luz mais intensa; onde uma crista de um feixe encontra o intervalo de onda de outro, forma-se uma região escura. Esta sobreposição é possível porque o laser se propaga através de ondas paralelas e igualmente espaçadas. O resultado é codificação da luz que atingia o objecto resultando em uma imagem tridimensional que reproduz o objecto fielmente. Porém ela só é vista quando se ilumina este filme com um laser. Para que esta imagem seja vista com a luz branca normal é preciso fazer todo processo novamente, só que desta vez substituindo o objecto pelo filme que já contém a imagem holográfica. Assim, coloca-se o filme exposto e revelado no lugar do objecto a ser holografado e um outro filme virgem que receberá a imagem através dos dois feixes. O resultado é um holograma visível sob a luz branca. Na verdade, pode-se considerar a holografia como uma "reconstrução luminosa do objecto" em três dimensões. A técnica de Gabor foi aperfeiçoada ao longo do tempo por outros cientistas como Stephen Benton, o que permitiu uma difusão da holografia fazendo com que fosse utilizada em diversas áreas. Os hologramas podem ser reproduzidos em película fotográfica, películas plásticas especiais ou em poliéster metalizado (hologramas impressos).
Mas ela como imagem tridimensional e interativa representa muito mais porque, também, pode ser um método educacional capaz de uma maior assimilação, uma vez que os próprios personagens históricos falariam, dos seus feitos, interagindo com seu interlocutor.
No vídeo a seguir, você pode assistir a fotografia do meu avô (1909-1982) interagir com meu sobrinho Loui. O vídeo só oferece a ideia do que pode ser realizado, as imagens não correspondem de fato ao pretendido. A imagem deve ter uma proporção 3D. O que se imagina é que a imagem holográfica possibilite uma saudação e se permita responder perguntas eventualmente feitas pelo interlocutor, tais como: "quem é você?"; "quando você nasceu?"; "em que você trabalhou?"; "o que eu sou para você?"... Entre outras perguntas e respostas.

Áreas de utilização


A holografia é usada dentro da pesquisa científica no estudo de materiais, desenvolvimento de instrumentos ópticos, criação de redes de difração entre outras. Na área da indústria tem aplicações no controle de qualidade de materiais, armazenamento de informação e na segurança (vide textos abaixo). A holografia também é utilizada na área da comunicação como um "display" de alto impacto visual comercialmente usado como elemento promocional em pontos-de-venda, estandes, museus, exposições, etc.
Já nas artes visuais diversos artistas trabalham a holografia como uma forma de expressão.
Os pioneiros da holografia no Brasil foram o Prof. José Lunazzi, da UNICAMP, o artista plástico e videomaker Moysés Baumstein e Fernando Catta-Preta. Baumstein produziu mais de 200 hologramas comerciais para empresas, instituições e agências de promoção, além de inúmeras holografias artísticas.
Juntaríamos o útil ao agradável, o didático interativo, veracidade e convencimento. É o futuro presente e possível.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
Título Original: Avatar./ Origem: Estados Unidos, 2009. / Direção: James Cameron. / Roteiro: James Cameron. / Produção: James Cameron e Jon Landau. / Fotografia: Mauro Fiore e Vince Pace. / Edição: John Refoua e Stephen E. Rivkin. / Música: James Horner.
Olhar Digital: Hologramas: essa moda vai pegar!  http://olhardigital.uol.com.br/video/hologramas-essa-moda-vai-pegar/27142

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